Wednesday, July 27, 2005

O fantástico Poder da Inércia

Ao redor da minha cama um poço de lava ardente uma alma que clama.
O meu lençol é o mais puro chumbo feito anos para durar elevados à grosa e não me deixa levantar desse mundo.
Nem quero sair desse aconchego com o conforto que a mim compete, com a inércia que recebo.
Sinto o sangue coalhar nas veias pelos movimentos que renego e nos pés do dormidor já colecionan teias.
Quem me dera ser crente para acreditar num só deus qualquer mesmo que Onipotente.
Será que ele me libertaria da larva dos grilhões (que aconchego) e da inércia me tiraria?
Até que o fim é Democracia meu EU interior pede o aconchego de outrora conhecido por Tirania
E o sono bom de dormir brada à mais um dia que raioufingo que escuto e volto a bramir.

Friday, July 22, 2005

O Suicida Redundante

O suicida redundante


Carnes trêmulas,
lâmina trepida
que assombra
a veia aguda.
Dilatada a pupila corta,
A veia aguda.
A saliva seca,
que desmonta
a garganta lógica,
convulsa no eco abrupto.

A negra visão do
vermelho sangue
revela verdes virtudes
triunfantes no branco olhar .
A estética forja
no léxico vernáculo,
adjetivos; apostos; vozes
em tempos venais.

E o fio gelado cinza.
Viola a rosa quente carne.

Deleitada, a veia vaza
jocosa e métrica
leva ao fosso vácuo
furioso, vil, fútil
o vermelho sangue
que gélido, quieta.

É absurda a essência
alva de pureza
sublimada de angústia
que pasma à efemeridade



O suicida redundante
que matou-se a si mesmo
necessita de mais coragem
para executar consigo
sua mundana covardia.