Estar de mudança.
Toda mudança nos prega uma sensação de sofrer por antecipação. É desta sensação que gostaria de falar hoje. Só dela.
É uma mediação complexa tratar do fim de algo, que já tem uma história própria e o início em potencial de outra que reivindica sua própria história. Esta história pode ser meramente uma estória, quem sabe?, mesmo assim ocorre o gelo espinhal tradicional. Acredito que não seja do "fim" propriamente dito que temos fobia, muito menos do "início d' outro". Temos medo é da sensação desse trato, a priori, parte das escolhas individuais de cada um. Se fosse tão bem compactuado, tão bem escolhido não teríamos esse medo, esse ranço. Porque o é?
É justamente pela impotência que as vezes nos abate como cordeiro manso, no cotidiano fugral. E nem de deus/Deus estou falando, é coisa mais simples, que beira a banalidade, são planejamentos errados, conjunturas mal elaboradas, modificações de supetão na nossa vida que nos deixa perplexo. São como amores que atravessam um relacionamento dito monogâmico e estável. Vem com gradação de F5, destruindo tudo que vislumbra pelo caminho, não respeita convenções da OIT, ONU, OMS, OPEP ou coisas mais importantes. Fico embasbacado com tanta arrogância do destino ao tentar tirar de mim algo que por direito da força histórica já é meu. Quer ainda, que me contente cabisbaixo com o pesar do próprio fardo. Mesmo que seja só mudar, por exemplo, de quarto, dentro da mesma casa que vivo há décadas.
São como os amores arrebatadores que atravessam os afetos já construídos. Eles avassalam sem piedade qualquer racionalidade, o que se deve fazer é somente esperar motivado por eles, um belo epitáfio.
