Wednesday, June 19, 2024

"Como é bom estar viva"

Estava num bar com amigos e colegas, momento de resenha, falávamos de várias coisas da vida e do que nos unia especialmente: o trabalho. Um deles me contou que a frase do título foi dita por uma pessoa pública importante. Ela certa vez estava em uma celebração com algumas pessoas tão importantes quanto ela, com muito mais gente querendo ser tão importante quanto e se amontoando para filar a companhia destes/as importantes. 

Quando recebe a ligação de amigo que estava noutra festa, noutro rolê, com os mortais. - "Vem pra cá, estamos aqui". O código foi suficiente. Depois de um tempo, algumas dúzias de abraços, sorrisos, poses de fotos e selfs solicitadas por aqueles menos importantes, promessas e pedidos de apoio chega no bar. O abraço nesse nosso amigo segundo ele foi o primeiro desabafo, saiu de dentro com tanto vigor, sem o menor receio de ser reconhecido: Como é bom estar viva! Foi o resgate da festa horripilante, nauseabunda, um ambiente inóspito e enclausurado, para ser acolhida num lugar mais sincero, afetivo. 

Eu estou usando o mesmo mote porque a escolha do deslocamento radical que fiz me fez perceber isso também. Não é romantismo ou idealismo, eu precisava disso, me convenci de que precisava e a primeira semana mostrou que isso era a mais pura verdade. 

Uma ruptura na relação nunca é boa. É o fechamento de um ciclo e as vezes as motivações, desejos, justificativas até dos porquês não fica bem estabelecida de cara, vai precisando decantar, sedimentar pra ter alguma adesão à realidade. É também, uma abertura pra coisa nova, que pode ser tão arrebatadora e por mais que possa parecer só mais uma coisa, pra esse alguém que acabou de ter a ruptura soa como se fosse a descoberta de um mundo todo novo. Mas isso só isso vale outras teclas digitadas. 

Durou uma hora e 15 minutos o primeiro reencontro, com o orientador. Primeiro vieram as conversas quebra-gelo, os assuntos variados, as digressões até tentar onde se perderam nesses 4 anos sem conversa e sem trabalho mais próximo. Quando assunto se desenvolveu foram novos pactos realizados, uma rota traçada, um destino a seguir. 

Olha, eu já meio que sabia o que mais ou menos ia sair, mas receber aquela informação presencialmente, olho-no-olho com direito a sinceros escárnios com a condição financeira: "porra, deixa de ser babaca, tá perdendo dinheiro todo mês". Só isso, fez mover uma força quase paternal, pueril da minha parte talvez, falta de presença de quem oriente, de uma paternidade ainda mais talvez. Estava eu esperando a ordem de um macho velho, branco pra mudar a minha própria vida? pra me dizer o que deveria já ter feito e fazer imediatamente? Era, talvez fosse isso mesmo, não vou negar. Fato é que depois dessa conversa, que inaugura as próximas e que vai se repetir na próxima semana pelo menos mais duas vezes, passei elo jardim em direção à biblioteca. Parei, olhei para as árvores, senti a brisa soprar, fitei o horizonte por cima da Igreja de São Lázaro, olhei o mar, senti a brisa de novo, escutei o silêncio do feriado. Depois cheguei ao banheiro da biblioteca: chorei, desabei, não consegui segurar. Ainda meio sem saber o porquê, e bom que escrevo logo em seguida isso pro Emmanuel do futuro (espero, seu cretino que com doutorado), sinto que foi mais de felicidade. Lembrando o que me fez em 2017 vir pra cá, escolhi, estudei, lutei, madruguei, construí um objeto inovador e interessante para entrar num programa "sem conhecer ninguém" sem ser importante no campo. E vim, vivi esses bons anos aqui. Foi saudade, nostalgia e lembrança. E isso bate forte viu. E passar aqui de novo, com objetivo de concluir, com desejo de finalizar e mais com disposição, interesse e resolução de fazer isso. 

É por mim, mas não é só por mim, tem minha filha, minha mãe que dependem disso diretamente. Mas olha, nesse momento tem de ser egoísta mesmo, olhar primeiro pra si e dizer: É porque eu quero e eu vou lá fazer, porque vai ser bom, satisfatório, é a minha vida porra, eu só tô aqui mais uns anos. 

E Como é bom estar viva! é disso. É o mesmo choro de raiva porque deixou-se ficar, e precisou alguma coisa se mover para perceber que você tava numa situação ruim, mas talvez você não pudesse sair antes. É de ansiedade, agonia, por saber o que vem pela frente, por imaginar que por conta disso dessas escolhas mesmo cheio de gente ao redor tudo passa a depender de você mesmo, e encarar a realidade sem muletas dói. Será que eu vou conseguir? Será que tudo que construí até aqui vai ser suficiente pra me fazer conseguir? Vou ter que dar mais ainda? É também choro de alegria, de consciência da pulsão original, da agência de você saber querer ter sucesso na missão, tem mecanismos pra isso, ainda mais depois de escutar de alguém que te orienta que você pode sim. Viver a vida é ter essa noção: com gente de bem do seu lado (sim, vai ficar muita gente pelo caminho), com equilíbrio mental em dia e sobretudo, com a porra do mapa de navegação apontando pra onde você quer ir, pode ser que dê certo.

Enxuga as lágrimas, lava o rosto, estica a coluna, respira fundo e bora. Se for o caso vai ser essa rotina todo dia, não tempo problema, no fim, quando olhar vai ver que não foi fim. É só o começo de algo novo. E deixar-se encantar, se apaixonar pelo novo é o motivo que trouxe a gente até aqui, a ficar vivo.





Friday, June 14, 2024

Ontem foi diferente

Ontem não foi tão legal, produzi pouco, na primeira parte do dia me entretive com besteiras na internet. Na segunda algumas demandas de trabalho que já deveria ter sido feitas, atrasadas, para variar olha só. Isso me deixou triste, tentando recuperar o tempo perdido hoje. mas nada muito efetivo, vai ficar pra mais tarde e amanhã de manhã, pois a noite, espero depois de muito tempo conseguir uma vaguinha pra diversão, afinal eu tô na Baeeeaaa. 

Uma coisa eu achei massa, e tenho continuado a achar. O RU é de fato um lugar de puro suco da universidade. E eu sou um idoso nesse lugar. Foi muito... não sei se uso divertido ou curioso, pra designar, mas foi entra as duas coisas. Sobre esse conflito geracional. Estava eu sentado jantando, numa sala ampla com umas 25 mesas, 4 pessoas em cada, cabe umas 100 pessoas comendo. tinha umas 25. Eu sem pestanejar era o aluno mais velho dentre aqueles. Não eram as roupas, cabelos, indumentárias, performances corporais não binárias, se é que posso assim dizer (ao menos equalizar na minha cabeça de velho), variados cursos, porque a medida que o BuzUFBA chegava dava pra ver as camisas da UFBA com os cursos inscritos. Será que bateu o clichê da meia idade? Uma menina bonita na mesa na frente com cabelo todo cacheado, lindão, tava armado no coque. A blusa preta estilizada, gola larga, cortada, escorra até o ombro quando ela pega a bandeja e vira-se. Movimento completo, a camisa é dos Ramones, o logo clássico. É isso, eu me achando velho vendo uma menina de 19, 20 anos com camisa de uma banda que já tinha acabado há 10 anos quando eu gostava, quando eu tinha uns 19, 20 anos. Isso já faz quase 20 anos. Afinal, de que serve o tempo né.

E olha, que bastaram 4 dias, sim teve o toró fiquei no caminho e cabulei. Foram só 4 dias de academia numa semana onde buscar uma rotina é uma palavra chave. E eu consegui. Mas tem que gostar de academia, admito. nem todo mundo gosta mesmo. Eu curto, acho desafiador, não é monótono se você perceber que cada série e repetição não é igual, umas doem mais que outras. E olha, eu subi aquela escadaria de ondina pra são Lázaro morrendo no primeiro dia. Os ossos doloridos, as carnes claudicantes, pedindo pra desistir. 15 minutos de bike pareciam intermináveis. quase não consigo voltar. Mas com 4 dias regulares, o joelho estala menos, a musculatura tá mais solta, o ato de levantar parece que tá mais fluido, leve. Me sinto um computador com a idade que tenho, só que parece que fui formatado, ou que passaram o desfragmentador de disco em mim. Pois é isso, me sinto pronto pra coletar memórias e arquivos novos. 


Outra nota mental do dia, dessa vez da sexta-feira já, dia 14.

Salvador é tão foda, que não é só todo mundo usar branco. Nos espaços onde ocupo no Ceará já virou até piadinha, chacota, pop cult macumbinha ás sextas-feiras o dresscode é branco todo, especialmente no corpo dos brancos, haha. Mas não só tem uns corpos pardos e pretos também que são de candomblé. Mas aqui, no mesmo RU,por Oxalá que coisa mais linda. A moçada com roupa de ração, na lata, sem pudor, sem customização, sem gourmetização nem desing não, é roupa que pela frango, varre roça roupa de uso diário e que na sexta-feira vira uso religioso antes de ser político, sem que um anule o outro. 

Thursday, June 13, 2024

Dia 12, que dia bom

 Nossa, que coisa boa é passar um dia e ao final saber o quão esse dia foi bom. 

A chuva me pegou antes de ir pra academia, um toró, tive de pedir um uber, é droga. e foi 18 reais que não estava previsto para transporte. mas é isso. Cheguei no laboratório, e produzi, li e escrevi com um ritmo legal. Terminei um artigo de uma autora e comecei outro dela ainda, aí fui juntando as peças na minha cabeça e senti uma sensação aproximada àquela dos cientistas das exatas quando misturam duas substâncias reagentes e  "kbooomm" um estrondo, epifania. Por pouco acreditei que a esse trabalho científico é experimental ao ponto de falta de cálculo de resultado, no caso falta de síntese de análise, mas não é não é pura transpiração, testes pra dar errado até dá certo uma hora, e é um gozo quase quando parece que tá dando certo. parece porque o chefe ainda vai ter que avaliar, ver o nível da besteira que escrevi. mas enfim, são 4 artigos de uma autora, mais dois de outra, mais um de outra e faremos um tópico. 160 páginas lidas, sintetizadas pra virar a discussão que vai caber em 5 ou 6 páginas. É dura essa vida de querer saber as coisas. Não tão duro quanto o cenário político de decisão de gente próxima que num dá pra defender. meu amigo, o Guimarães, falando que isso é assunto particular de cada deputado, que um projeto de lei, que é também cortina de fumaça e teste do lira pra saber quanto poder tem de chantagem, não dá pra defender, nem aceitar nem conversar. Era melhor ficar burro/equivocado que nem ele. 

Depois um jantarzin de boas, crepioca de aveia com queijo, aquela schweppes ginger bem gelada. Uma bela sessão de terapia era pra ser mais longa, mas foram bons 30 minutos para iluminar e ajuntar as ideias. E a cereja do bolo da noite 56minutos de conversa com a cabrita amarela, o amor da vida. Nossa como aquilo cresceu rápido é o clichê mais certo: o tempo voa. E me mostrou as notas do bimestre, que orgulho (e sentimento de bom uso de investimento material), só tinha um 8,5 um 9,0 um 9,5 e 4 dez. Obviamente, briguei pelo oito pra não demonstrar comiseração, porque de gente que tira 8,5 o mundo tá cheio.

Por fim, o restinho do jogo de futebol até cair no sono de um cansaço providencial. Hoje dia 13 tem estreia de série que tava acompanhando, vou lá espiar pra vê como tá. 

Wednesday, June 12, 2024

1,2,3 Olha eu aqui outra vez

Visita à Avenida 7, Carlos Gomes, praça Castro Alves, pelourinho, Sé, corredor da vitória, barra: devidamente destravada a memoração. 

Da oceânica, passando por ondina. Adhemar de Barros.

O note já tinha dado pau fui bater lá na rua do Salete, consertou em um dia. Espero que tenha sido realmente "a placa" de vídeo. "A placa" é meio que um nome genérico e coringa pra muitos males no computador. é o vocativo de um monte de coisa, sem dizer o que é. Enfim, a sensação de ser enrolado não pode sobrepujar o computador de volta. 

Saudades mesmo de São Lázaro. Que lugar magnético, ao mesmo tempo castigado que precisa de vida pra rechear ele. Por hora é isto, já são três dias. Ritmo ainda bem lento, pegando no tranco, mas cada vez mais cedo por aqui. Já já incendeia a fornalha. 

Pra ajudar na criação de uma rotina voltei à academia. O plano tava lá parado há 3 meses. Foi uma porrada, não estava nos planos financeiros, vou ter de cortar em algum lugar depois, mas por hora me ajuda a ter foco, força e condicionamento. 

O foco tem de ser esse. E é, por mais que haja outras coisas só essa deve importar. O que mais vier é lucro, satisfação e conforto. Prazer, obviamente. Mas o gesto é de que isso não é importante agora, o principal é vir aqui, finalizar, e depois, só depois, vê o que acontece. O que tiver nesse meio é acontecimento de meio, por melhor que seja.  

Aqui e de novo.

 Ah, mais uma dessas. Sem querer terminei a outra, onde começa essa daqui. 

Salvador, de novo. Parecido com 2017.

Idas, vindas, vindas, idas. Por ora apenas ilação, vislumbres e divagação. Não sei de nada. 

Só voltei para finalizar o que precisa ser finalizado. Aos trancos e barrancos, aos tropicões. Ato contínuo, passagem das tais vindas e idas. Antes do fim é preciso ter em mente que já se vai ter novo começo. Nada pode acabar sem que tenhamos o um norte. Se não é o receio da morte que dá sentido a vida o que pode fazer o frio na espinha descer? Nem tente, quase todo mundo tem medo de morrer, ou atração por ela que é um esgarçamento do sentimento por uma atração subjetiva para ver se reverter a morte alcançando-a. Eu sou da estatística dos que tem medo. 

Não vem ao caso. O fato é que um stories com 3 segundos me fez pensar de novo. Um rosto familiar, anos de convívio, ao que parece suportando a distância. Que bom, fico feliz que as decisões a fizeram feliz. Enquanto isso eu aqui, tergiversante, tentando terminar o ciclo que já era pra ter acabado há uns anos. Vai dar certo? Conseguirei? Tô tentando, juro que tô tentando.